A ilusão do Amor à primeira vista - Mário

04/11/2009 09:00

   Durante a vida, tomamos conhecimento sobre inúmeras coisas. Esse “aprender” constante nos leva a acreditar que tudo o que chega até nós, de uma maneira ou de outra, é digno de crença ou, no mínimo, de observação. Obviamente, de eternos aprendizes (ingênuos, devo acrescentar) que somos, pensamos que nada é totalmente mentira até que se prove o contrário. Ou até que se mostre o contrário.

   Não sei se o que direi é verdade ou mentira, e com certeza não é uma prova. Mas devo mostrar o outro lado sobre aquilo que chamamos de “Amor à primeira vista” (profundo, não acham?).

   Se considerarmos o termo literalmente e levarmos em consideração a ideia que a maioria das pessoas tem sobre isso, temos um grande problema. Sim, porque isso significa que você não poderá sair de seu doce lar até que o resto da humanidade tenha se extinguido completamente e você seja o único sobrevivente (quem se habilita?). Você poderá se apaixonar por qualquer pessoa com apenas um olhar, e o estrago estará feito: batimentos cardíacos acentuados (é por isso que amo meu cérebro), glândulas sudoríparas trabalhando a todo vapor (alguém mais está com nojo?)... Aquela famosa imagem de pessoa ideal se adapta à pessoa que está diante de você e, assim, você acredita ter encontrado o amor da sua vida. Como devo chamar isso? Triste ilusão ou grande exagero? Provavelmente os dois. Por que simplesmente não consideramos o fato de que o que sentimos nesse momento é um desejo intenso aliado a um grande interesse curioso? Talvez nossa resposta seja a mídia, que adora brincar com corações (ou cérebros, que são o que realmente controlam nossas emoções e sentimentos) alheios.
   Concluímos com isso que nosso “amor à primeira vista” não passa de um “desejo (ou grande interesse, se preferir) à primeira vista”. Triste, não? Pois sim, é. Claro que agora nasce um novo questionamento sobre o surgimento do verdadeiro amor, de onde e como ele surge. Não é algo que seja difícil de responder: tudo se resume a CONVIVÊNCIA. É assim que surge qualquer tipo de amor entre pessoas, pelo dia-a-dia. Como você pode amar seu pai se nunca o viu na vida? Acaso você vai se “apaixonar” à primeira vista assim que o ver? Não, não, não. Penso que devo conhecer ou, no mínimo, conviver com alguém para poder amá-lo, seja como for.
  Tudo isso não significa que não exista um “amor à x vista” (sendo x um número ordinal diferente de 1ª) após a tal convivência. Você pode simplesmente conhecer uma pessoa e, em um determinado dia, ao vê-la, se apaixonar perdida e completamente (essa é a esperança de muitos, eu incluso). Lindo, não é?
   Para terminar, devo dizer que acredito em amor à primeira vista quando nos referimos a coisas mais... terrenas ou artísticas. É comum apaixonar-se por determinado tipo de arte, por músicas, por comportamentos, por estilos, por filmes, tudo à primeira vista. Mas aqui entre nós, o importante mesmo, com ou sem amor à primeira vista, é se apaixonar por aquilo que nos rodeia, nos dá prazer e nos faz felizes!

 

A ilusão do Amor à primeira vista

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